Com salário anual de até R$ 218 mil, Antártida tem vagas para cientistas e até cabeleireiros

Saiba como se candidatar a postos que pagam mais de R$ 200 mil anuais, exigindo resiliência e espírito de equipe em condições extremas

Jennifer Feitosa

A Antártida abre portas para profissionais de diversas áreas, oferecendo uma oportunidade de trabalho única com salário anual de até 31.244 libras (cerca de R$ 218 mil reais). A experiência exige enfrentar o frio extremo e o isolamento do continente gelado, que apresenta desafios como a luz do dia constante e longos períodos sem o sol.

O recrutamento é conduzido por bases de pesquisa do Reino Unido e dos Estados Unidos. As vagas não se limitam a cientistas, incluindo posições para carpinteiros, eletricistas, chefs e até cabeleireiros. O objetivo é atrair indivíduos corajosos e aventureiros para atuar nas estações polares.

O British Antarctic Survey (BAS), instituto britânico de pesquisa polar, gerencia uma das cinco bases envolvidas na busca por novos colaboradores. Anualmente, o BAS recruta cerca de 150 profissionais, sendo 70% das vagas destinadas a funções operacionais essenciais para as atividades diárias das estações.

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Experiência na estação Halley VI

Dan McKenzie, 38 anos, é o chefe da estação Halley VI na Antártida, ocupando um dos cargos mais isolados e desafiadores. Ele trabalhou desde os 19 anos longe de sua terra natal, em busca de aventura e de lugares selvagens.

McKenzie comentou à BBC que o ambiente é de frio extremo, mas que não o incomoda. "Pode cair até os -40°C, mas a média fica em torno de -20°C", descreveu o ex-marinheiro, que buscou uma experiência semelhante à vida a bordo, mas em terra.

Desafios da Antártida

McKenzie lidera uma equipe de 40 pessoas na Halley VI durante a temporada de verão, que vai de novembro a meados de fevereiro. Suas responsabilidades incluem gestão de suprimentos, protocolos de saúde e segurança, e treinamento da equipe.

Além das tarefas operacionais, o líder também proporciona apoio emocional quando necessário. "As pessoas entram no seu escritório e dizem que não estão tendo um dia muito bom, ou que algo aconteceu em casa, e você precisa tentar ver como pode apoiá-las", relata McKenzie.

A estação Halley VI tem foco na coleta de dados espaciais e atmosféricos, devido ao estudo da plataforma de gelo Brunt e na supervisão do buraco na camada de ozônio da Terra. A monitoria da fauna e do ambiente é feita por diversas estações do BAS.

Vagas, salários e benefícios

Um total de 150 profissionais é recrutado pelo BAS anualmente. Embora funções científicas e de engenharia sejam importantes, 70% das vagas são operacionais. Mariella Giancola, diretora de Recursos Humanos do BAS, compara a experiência a "voltar para a universidade" devido à convivência cotidiana.

Profissionais como eletricistas, chefs, paramédicos, médicos e encanadores começam ganhando em torno de 31.244 libras por ano (o equivalente a R$ 218.184, na cotação atual). A instituição oferece viagem, hospedagem, alimentação e equipamentos adequados às temperaturas extremas.

Cerca de 5 mil trabalhadores estão na Antártida durante o verão, espalhados por 80 estações de pesquisa, operadas por 30 países diferentes, evidenciando a escala das operações no continente.

Como se candidatar às vagas

As vagas são divulgadas pela internet, tanto pelo BAS quanto pelo United States Antarctic. Além disso, o BAS proporciona um dia aberto ao público em março para apresentar as oportunidades e os desafios.

Aqueles que desejam se aventurar precisam estar cientes das particularidades da vida na Antártida: alimentos frescos quase não são consumidos, o álcool é limitado e os dormitórios são compartilhados. São condições que exigem adaptação e resiliência.

As etapas de recrutamento do BAS incluem testes para avaliar a capacidade de lidar com conflitos e resolver problemas. Para os candidatos aprovados, um treinamento prévio rigoroso é oferecido. Mesmo com as exigências físicas e emocionais, a contribuição para a pesquisa ambiental é um motivador para muitos.

(Jennifer Feitosa, Jovem Aprendiz, sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de oliberal.com)

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