Reajuste do INSS para aposentados e pensionistas injeta cerca de R$ 220 milhões no Pará

Benefícios acima do mínimo sobem 3,9%, mas correção fica abaixo da inflação oficial do país

Fabyo Cruz

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem acima de um salário mínimo terão reajuste de 3,9% nos benefícios a partir de fevereiro de 2026. A correção, baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), deve resultar na injeção de aproximadamente R$ 219,8 milhões adicionais na economia paraense ao longo de 12 meses, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA).

Com o reajuste, o teto da Previdência Social passa de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55. O percentual segue o INPC divulgado em 9 de janeiro de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicador que mede a inflação para famílias com renda mensal entre um e cinco salários mínimos. O aumento será aplicado integralmente aos segurados que já recebiam benefícios acima do piso nacional até fevereiro de 2025.

Para quem passou a receber o benefício ao longo do último ano, o reajuste será proporcional ao tempo de concessão. Nesses casos, os percentuais variam conforme o mês de início do pagamento, indo de 3,9% para benefícios concedidos em janeiro e fevereiro até índices menores para concessões mais recentes, chegando a 0,21% para quem começou a receber em dezembro.

Abaixo da inflação

Apesar do aumento nominal, o reajuste não recompõe integralmente as perdas inflacionárias. Isso porque o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou 2025 em 4,26%, percentual superior ao INPC utilizado como base para a correção dos benefícios acima do salário mínimo. A diferença entre os índices indica, portanto, uma perda real do poder de compra desse grupo de segurados.

Cenário no Pará

No contexto paraense, os efeitos do reajuste ganham maior relevância devido ao peso da renda previdenciária na economia local. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) referentes a dezembro de 2025 mostram que 997.035 beneficiários no Pará recebem até um salário mínimo. Já o número de segurados que recebem no teto da Previdência é bastante reduzido: apenas 23 pessoas no estado.

Levantamento do Dieese/PA, com base no Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps), aponta que, em novembro de 2025, o valor total mensal dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pagos no Pará alcançou R$ 1,526 bilhão. Desse total, R$ 1,058 bilhão correspondem a benefícios de até um salário mínimo, enquanto R$ 468,4 milhões são destinados a aposentados e pensionistas que recebem acima do piso nacional.

Embora representem apenas cerca de 17% do total de beneficiários do RGPS no estado — o equivalente a 144.565 pessoas —, os segurados que recebem acima de um salário mínimo concentram aproximadamente 30,7% de toda a massa previdenciária paga mensalmente no Pará. Dentro desse grupo, a maior parte da renda está concentrada entre aqueles que recebem de um a cinco salários mínimos, com R$ 458,9 milhões por mês. Os benefícios entre cinco e dez salários somam R$ 9,29 milhões, enquanto os acima de dez salários mínimos representam R$ 228,2 mil mensais.

Com a aplicação do reajuste de 3,9% sobre essa massa de rendimentos, o Dieese/PA estima um acréscimo mensal de cerca de R$ 18,3 milhões circulando na economia paraense. Em um ano, o valor adicional pode chegar a R$ 219,8 milhões, com impactos diretos sobre o consumo, especialmente nos setores de comércio e serviços, mais presentes nos centros urbanos e na Região Metropolitana de Belém (RMB).

Reajuste insuficiente

Na avaliação do supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, embora o volume de recursos tenha importância para a sustentação da atividade econômica, o reajuste se mostra “insuficiente para preservar o poder de compra dos beneficiários”. Para o especialista, a defasagem frente ao custo de vida “compromete a capacidade de atendimento às despesas crescentes enfrentadas por aposentados e pensionistas”, sobretudo com gastos em saúde, alimentação e serviços essenciais.

“O impacto tende a ser mais sensível no Pará, onde a renda previdenciária exerce papel central no orçamento de milhares de famílias e na dinâmica econômica de diversos municípios”, destaca Everson Costa. Especialistas avaliam que, apesar da injeção adicional de recursos, a correção abaixo da inflação pode levar a um comportamento mais cauteloso no consumo ao longo de 2026, limitando o efeito positivo do reajuste sobre a economia local.

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