Belém registra queda de 55% nos casos de dengue no primeiro mês de 2026, aponta Sesma

Em janeiro deste ano, a capital paraense registrou 69 casos da doença, em comparação às 155 notificações feitas no mesmo período de 2025

Gabriel Pires
fonte

Belém iniciou 2026 com uma queda de 55% nos casos de dengue em janeiro, como apontam dados da Secretaria Municipal de Saúde de Belém. No primeiro mês do ano, o município registrou 69 ocorrências, em comparação às 155 notificações feitas no mesmo período de 2025. Em todo o Pará, entre novembro de 2024 e maio de 2025, período correspondente ao inverno amazônico, foram contabilizados 14.629 casos de dengue, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará. Já em 2026, entre 1º de janeiro e 20 de fevereiro, o total registrado chegou a 636 casos.

Durante o ano de 2025 foram notificados 2.667 casos da doença. Desses, apenas 916 foram confirmados. Em toda a capital paraense, entre os bairros com maior registro de dengue em janeiro de 2026 destacam-se: Parque Verde com 14 casos, Murubira e Barreiro com 7 casos cada, e São Brás com 5 casos. Já no ano passado, os bairros com maior número de notificações nesse período foram: Parque Verde com 16 casos, Agulha com 12 casos, Campina de Icoaraci com 10 casos, Terra Firme (Montese) com 9 casos, e Barreiro, Guamá e Cabanagem com 7 casos cada.

Na rede estadual de saúde, como detalhado pela Sespa, o atendimento é sintomático e acontece conforme o fluxo de atendimento previsto nos planos de contingência municipais. Sobre as ações estaduais de prevenção e controle da doença, a Sespa detalhou que o estado apoia os municípios na distribuição de inseticida, orienta o modelo para os planos de contingências municipais e ativou a sala de situação com suas regionais. 

A vacina contra a dengue é destinada a crianças de 10 a 14 anos e está disponível nos postos de saúde. Em Belém, em função da baixa procura pela vacina pelo público-alvo, excepcionalmente doses da vacina contra a dengue, que seriam utilizadas até o mês de março, estão sendo disponibilizadas para a população de 4 a 59 anos. A execução da vacinação é de responsabilidade dos municípios.

Estratégia de combate

Regularmente, bairros da capital recebem ações de combate ao Aedes aegypti, como em novembro do ano passado em São Brás, Guamá, Umarizal e Campina. No final de agosto de 2025, como estratégia complementar às ações tradicionais de combate às arboviroses, o município iniciou a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia utilizada no controle do mosquito Aedes aegypti, conforme detalhado pela Sesma. 

Na fase inicial, as EDLs foram instaladas nos bairros do Guamá, Montese, Canudos, Marco, São Brás, Comércio, Umarizal, e Curió- Utinga. E ainda, no bairro do Souza, Pedreira, Sacramental e Coqueiro, priorizando áreas com maior histórico de incidência de dengue, de acordo coma secretaria.

Atualmente, o município conta com aproximadamente 5.226 EDLs distribuídas em Belém, com média de uma estação para cada 10 imóveis, ampliando o alcance das ações de controle vetorial. E a Sesma já está realizando a 4ª manutenção das estações, procedimento que ocorre em ciclos entre 30 e 60 dias, garantindo a reposição do larvicida e a efetividade da tecnologia.

O trabalho é executado pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE) da Secretaria Municipal de Saúde, que atuam de forma contínua nos territórios, associando as EDLs a ações educativas, visitas domiciliares, eliminação de criadouros e monitoramento epidemiológico.

Período chuvoso

A médica infectologista Rita Medeiros, de Belém, orienta que, ao longo do ano, nos meses mais chuvosos, quando o mosquito transmissor se prolifera mais, os profissionais de saúde devem pensar em dengue para qualquer quadro de febre e dor no corpo. “Em situação de maior risco, não precisa nem confirmar com testes laboratoriais, basta a suspeição clínica”, afirma, ressaltando que a febre na dengue e por outros vírus transmitidos por mosquitos, como chikungunya, Zika e oropouche, pode durar até sete dias.

Segundo Rita Medeiros, no manejo correto da dengue, o mais importante é ficar atento aos chamados sinais de alarme para dengue grave, que muitas vezes já estão presentes no terceiro a quarto dia de sintomas, sendo a dor abdominal e vômitos frequentes, os mais precoces, e pouco valorizados pela equipe de saúde. “Os médicos tendem a ficar mais de olho no nível de plaquetas, e sinais de sangramentos, mas é preciso alertar, que muitos pacientes podem agravar rapidamente, sem ter níveis de plaquetas tão baixos e sem ter sangramentos visíveis”, explica.

Alerta

E ainda, a médica ressalta que o elemento mais importante a ser monitorado em um hemograma, é o hematócrito, que traduz o grau de hemoconcentração e possibilidades de grandes derrames na pleura e no abdome. “E não esquecer também, do quadro de hepatite grave, que é uma das maiores causas de morte por dengue”, alerta.

Não existe tratamento específico para a dengue. “O tratamento é essencialmente por hidratação oral quando o paciente não apresenta sinais de alarme para doença grave; e endovenosa, quando for indicada observação ou internação nas unidades de saúde”, detalha a médica. Sobre os vírus da dengue, Rita Medeiros esclarece que todos os quatro sorotipos podem causar doença grave e matar. “E sim, o risco de formas graves da doença aumenta muito quando a pessoa contrai dengue mais de uma vez”, afirma.

Outro alerta importante é sobre o ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios, que são formalmente contraindicados em casos suspeitos de dengue, por potencializarem o risco de sangramentos importantes. “Portanto, os profissionais não devem indicar medicamentos que contenham essa substância em sua composição”, enfatiza Rita Medeiros.

Vacinação em Belém

Em Belém, a vacina contra a dengue faz parte das vacinas de rotina, e está disponível nas salas de vacinação da capital. O imunizante é destinado rotineiramente aos adolescentes de 10 a 14 anos. No entanto, Belém conta apenas com dois lotes próximo ao vencimento e, atendendo as orientações do Ministério da Saúde, a idade de aplicação foi temporariamente ampliada.

De acordo com a Sesma, a vacina com validade de 30 ou menos dias poderá ser aplicada na faixa etária entre 4 a 59 anos e com vencimento em até 60 dias ampliada para a faixa etária de 6 a 16 anos. O esquema da vacina é composto por duas doses com intervalo de 90 dias entre as doses. As pessoas que receberem a vacina, nesse momento de ampliação, terão a segunda dose garantida.

Medidas preventivas contra a dengue: 

• Manter a caixa d’água, tonéis e barris de água bem fechados;

• Colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira fechada;

• Não deixar água acumulada sobre a laje;

• Manter garrafas com boca virada para baixo;

• Acondicionar pneus em locais cobertos;

• Proteger ralos sem tampa com telas finas;

• Manter as fossas vedadas;

• Encher pratinhos de vasos de plantas com areia até a borda e lavá-los uma vez por semana.

• Eliminar tudo que possa servir de criadouro para o mosquito como casca de ovo, tampinha de refrigerante entre outros.

Fonte: Sespa

Locais com vacina contra dengue com ampliação da faixa etária em Belém

Idade de 4 a 59 anos:

- UMS Condor

- UBS Fluvial

- CSE Marco

- UMS Icoaraci

- USF Combu

- USF Tenone II

- USF Aguas Lindas

- USF Vila da Barca

- UMS Marambaia

- UMS Tapanã

- USF Paraiso dos Pássaros

- Uremia

- UMS Jurunas

- USF Canal do Galo I

- Pedreira

- UMS Curio

- UMS Satélite

- UMS Fatima

- Hosp. Naval

- USF Cotijuba

- Hosp. Exército

- Hosp. Aeronáutica

Idade de 6 a 16 anos:

- Hosp. Aeronáutica

- Unifamaz

- USF Agua Cristal

- USF Portal da Amazônia

- USF Providência

- USF Quinta dos Paricas

- USF Souza

- USF Guamá

- USF Outeiro

- USF Sacramenta

- UMS Terra Firme

- USF Radional II

- USF Terra Firme

- USF Telégrafo

- USF Canal do Piraja

- USF Mangueirao

- USF Carananduba

*As demais salas de vacinação possuem vacina exclusiva para a faixa etária de 10 a 14 anos.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM