Casos de racismo contra torcedor e jogador do Remo reacendem debate sobre combate no futebol Episódios foram registrados na semana que antecedeu o Dia da Consciência Negra e são uma demonstração de que o combate ao racismo enfrenta grandes desafios no esporte Aila Beatriz Inete 20.11.25 8h00 () Na última semana, mais um caso de racismo e injúria racial foi registrado no futebol brasileiro, e ambos foram direcionados contra atletas e torcedores do Remo, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. O episódio ocorreu durante o jogo do Leão Azul contra o Avaí-SC, no sábado (15), válido pela 37ª rodada, na arquibancada do estádio da Ressacada. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, uma mulher, apontada como ex-conselheira do clube, apareceu proferindo ofensas de cunho racista e xenofóbico contra torcedores paraenses. Além disso, o jogador azulino Reynaldo foi alvo de uma ofensa racista em um áudio divulgado nas redes sociais. VEJA MAIS Mulher que cometeu racismo contra torcedores do Remo é ex-conselheira do Avaí Torcedora e ex-conselheira do Avaí foi identificada e terá seu acesso ao clube suspenso Torcedora do Avaí é flagrada fazendo ataques racistas contra torcedores do Remo As imagens repercutiram nas redes sociais e geraram indignação Remo denuncia novo caso de injúria racial envolvendo atleta Clube denuncia página após publicação de uma página dedicada a torcedores do Paysandu Os dois casos, que ocorreram próximo ao Dia da Consciência Negra, data que representa a luta e resistência da população negra contra a discriminação racial, são uma amostra de que, mesmo com a evolução do debate sobre o racismo no futebol, o problema ainda está longe de ser erradicado e levanta a questão do papel do esporte no combate à discriminação racial. "O racismo é um defeito da sociedade. Essas pessoas têm que ser enfrentadas com coragem. Tem que haver algo até contraditório, que é a intolerância à intolerância. Primeiro, é entender que, infelizmente, ninguém está livre disso. Esses casos vão continuar existindo e temos que agir com coragem e ser intolerantes com esses casos", declarou o presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em entrevista ao Núcleo de Esportes de O Liberal. Debate sobre a discriminação racial no futebol cresce; FPF e Remo manifestam compromisso na causa Recentemente, o lateral Sávio foi alvo de injuria racial nas redes sociais, o que reacendeu a importância de debater o tema Conforme dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, em 2023 foram registrados 136 casos de racismo no futebol brasileiro, um crescimento de quase 40% em comparação com 2022. O Pará registrou apenas um caso. Em 2025, pelo menos três casos contra atletas que jogam em clubes paraenses e torcedores já foram registrados. Na entrevista, Gluck Paul destacou que a pauta antirracista é tratada com seriedade pela CBF e FPF e que a instituição máxima do futebol tenta combater o crime por meio de campanhas. Além disso, Ricardo apontou que no futebol brasileiro é utilizado o protocolo antirracista criado pela FIFA, que consiste em paralisar o jogo, fazer o registro do caso e levar o caso às instituições competentes para investigar e punir os autores. "Existe um protocolo da FIFA. Acho que não cabe um próprio, porque o da FIFA é muito bom. Tem sido praticado no mundo todo. Durante o jogo, é um protocolo muito importante", apontou o presidente da FPF. Posicionamento Tanto Remo quanto Avaí-SC se pronunciaram sobre o caso envolvendo os ataques sofridos pelo torcedor na Ressacada. O clube catarinense informou que a torcedora foi identificada e teve suas atividades relacionadas ao time suspensas, e que irá investigar o caso para aplicar as punições cabíveis. O Remo disse, por meio de nota, que o episódio foi uma "clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune" e que o clube não "tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição dos envolvidos". Sobre o caso contra o zagueiro Reynaldo, o time lamentou o ataque e disse que vai tomar as medidas cabíveis. Até quando? Ambos os casos são um sinal de que o assunto não deve ser banalizado. O racismo é crime e, mesmo que a pauta no futebol já esteja sendo levada com mais afinco há alguns anos, as ações parecem não ser o suficiente. Ricardo afirmou que é preciso comprometimento das instituições e clubes no enfrentamento ao racismo. O dirigente disse que vai acompanhar de perto o caso envolvendo a torcedora do Avaí para exigir a responsabilização da autora. "É preciso enfrentar, assumir uma posição", destacou. "É levar até o final, cobrar a responsabilidade criminal dessas pessoas e acompanhar até o desfecho. Não se pode jogar isso para debaixo do tapete. Esse caso do Avaí vamos acompanhar até o final, e essa pessoa precisa ser responsabilizada", disse. "Sabemos que existem pessoas boas e más, mas as pessoas más têm que ter medo da maldade; têm que perceber que não vão encontrar ambiente para isso, porque serão punidas e responsabilizadas. É preciso combater com coragem esse tipo de violência", concluiu Ricardo Gluck Paul. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave esportes consciência negra futebol remo COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Esportes . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! 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