60 vendas por semana e lucro de 70%: mercado de redes de dormir em Belém abastece ilhas e interior
Empreendendo no ramo das redes, comerciantes locais geram emprego e movimentam a economia no interior e na capital
O mercado de redes de dormir de Belém, tradicionalmente parte da cultura paraense, tem se consolidado como um importante vetor econômico, impulsionando a produção e movimentando vendas tanto na capital quanto no interior do estado. Empreendedores locais, como Adriane Gama e Lucirene Almeida, destacam o impacto econômico do ramo, que vai além da capital paraense e alcança cidades no interior do Pará, além das ilhas de Belém, com lucro médio de até 70%.
Mercado crescente e tradicional
Para o comerciante local, o mercado de redes representa mais do que um negócio: é um reflexo da cultura regional. "Na minha opinião, qual o paraense que não tem uma rede? Eu tenho uma. Se tu chegar na casa de um paraense, ele tem uma rede. É muito difícil não ter. Já faz parte da nossa cultura", afirma Adriane Gama, empresária de uma das lojas de redes no centro comercial de Belém.
De fato, as redes de dormir são um ícone do cotidiano paraense, e isso se reflete na demanda constante. Nos últimos meses, Adriane e outros comerciantes do ramo registraram vendas expressivas, com lucro de até 70% sobre cada unidade vendida.
"O mês de fevereiro foi bom, apesar de ser curto por causa dos feriados. A gente tem clientes nas ilhas de Belém e também em cidades do interior, como Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará", completa Adriane.
Produção diversificada e transporte personalizado
A produção das redes, muitas vezes de forma artesanal, é um fator decisivo na variação de preços. Redes mais elaboradas e feitas manualmente têm um custo superior, mas em contrapartida, são mais valorizadas pelos consumidores. Já as redes industriais, produzidas em maior escala, são mais baratas e têm grande saída.
A distribuição, por sua vez, se dá por meio de canais diversos. "Eles [os clientes] têm os barcos deles, geralmente canoas ou rabeta, e fazem o transporte das redes até o interior", explica Adriane.
Esse método de distribuição garante que o mercado de redes alcance regiões distantes, como as ilhas de Belém e cidades do interior, criando uma rede de cooperatividade entre comerciantes locais e revendedores.
Lucirene Almeida, que também gerencia uma loja no centro de Belém, confirma que a venda de redes para revenda no interior é uma prática comum.
"A gente vende para alguns interiores do estado - Barcarena, Muaná, Anajás. Vem muito cliente de lá para comprar, para revender", destaca Lucirene, que também aponta a variação das vendas conforme a temporada: "Em tempos de eleição e final de ano, as vendas aumentam. O mês de julho também é bom."
Impacto econômico e gerador de empregos
Embora o mercado de redes de dormir seja competitivo e desafiador, ele tem gerado emprego e renda para os envolvidos na cadeia produtiva. Além dos empresários que operam as lojas, há toda uma rede de revendedores que se beneficia com as compras de redes para revenda.
"Na minha loja, empregamos três pessoas. Fora isso, há as meninas que compram as redes para revender, e elas, por sua vez, empregam outras pessoas. Isso gera uma grande rotatividade e movimenta a economia tanto na capital quanto no interior", afirma Adriane.
Lucirene, por outro lado, enfatiza o esforço pessoal que requer o negócio. "Aqui sou eu e o meu esposo. A gente não tem como contratar um funcionário. O mercado de redes está bem concorrido, hoje em dia, e é difícil competir com os preços das grandes indústrias”, disse.
Perspectivas de crescimento
Com a produção crescente e a consolidação de redes de distribuição que chegam às áreas mais distantes, o mercado de redes de dormir no Pará tem se mostrado resiliente, mesmo com a concorrência e os desafios econômicos.
"A gente tem uma margem de lucro considerável, especialmente nas redes mais sofisticadas, que são as que mais vendem. Porém, as mais simples ainda têm uma boa saída, mas com lucros menores", finaliza Lucirene.
Apesar da alta competitividade, as oportunidades para revendedores no interior continuam em expansão.
Para Adriane, a tradição e a cultura local são fatores essenciais para a manutenção e crescimento do mercado: "As redes fazem parte da identidade do povo paraense. Isso é algo que a gente vai levar para sempre."
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