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Desemprego cai a 6,8% no Pará, mas informalidade segue em 58,5%

Segundo o IBGE, o estado está entre as 20 unidades da federação que atingiram o menor nível de desemprego já apurado pelo instituto

Fabyo Cruz
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O Pará encerrou 2025 com a menor taxa anual de desocupação desde o início da série histórica da PNAD Contínua. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado registrou taxa de 6,8%, resultado que o coloca entre as 20 unidades da federação que atingiram o menor nível de desemprego já apurado pela pesquisa.

O índice paraense ficou próximo da média nacional, que foi de 5,6% em 2025 — queda de 1 ponto percentual em relação a 2024 (6,6%). No ranking nacional, as maiores taxas foram observadas no Piauí (9,3%), Bahia (8,7%) e Pernambuco (8,7%), enquanto Mato Grosso (2,2%) e Santa Catarina (2,3%) registraram os menores percentuais.

De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, a mínima histórica reflete o dinamismo recente do mercado de trabalho e o avanço do rendimento real, mas ainda esconde fragilidades estruturais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Informalidade preocupa

Apesar do recorde positivo no desemprego, o Pará mantém uma das maiores taxas de informalidade do país. Em 2025, 58,5% da população ocupada trabalhava sem carteira assinada ou sem proteção previdenciária — segunda maior taxa do Brasil, atrás apenas do Maranhão (58,7%).

Na prática, isso significa trabalhadores sem direitos trabalhistas formais, renda instável e menor acesso à previdência social. A taxa nacional de informalidade ficou em 38,1%, bem abaixo da registrada no estado.

No quarto trimestre de 2025, o cenário permaneceu semelhante: o Pará registrou 56,7% de informalidade, novamente entre as maiores do país. As regiões Norte e Nordeste concentram também os menores percentuais de empregados do setor privado com carteira assinada.

Comparativo anual

Em 2024, o Pará já apresentava sinais de recuperação no mercado de trabalho, mas ainda operava em patamar superior ao recorde consolidado em 2025. A taxa média anual de desocupação ficou entre 7,8% e 8,0%, acima dos 6,8% registrados no ano seguinte e também superior à média nacional de 2024 (6,6%), embora melhor que a do Nordeste (9,0%).

Apesar de, no terceiro trimestre daquele ano, o índice ter recuado pontualmente para 6,9%, o resultado anual refletiu uma retomada ainda desigual entre os setores. Na informalidade, o desafio era igualmente elevado: o estado liderava o ranking nacional, com 58,1% da população ocupada sem carteira assinada ou atuando por conta própria sem CNPJ.

A virada para 2025 ocorreu com a consolidação de obras de infraestrutura e a expansão do setor de serviços, impulsionados pela preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), movimento que ajudou a reduzir a taxa de desocupação ao menor nível da série histórica.

Norte ficou estável

Enquanto quatro regiões do país apresentaram queda na taxa de desocupação no quarto trimestre de 2025 — Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste — a região Norte ficou estável.

O dado ajuda a explicar por que, apesar da mínima histórica anual, a recuperação do mercado de trabalho na região ocorre em ritmo mais lento que no restante do país.

Renda cresce, mas desigualdade persiste

O rendimento médio real habitual no Brasil alcançou R$ 3.560 em 2025. O Distrito Federal lidera com R$ 6.320, seguido por São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177).

Embora o levantamento destaque crescimento do rendimento na região Norte no quarto trimestre (R$ 2.846), os valores permanecem distantes dos estados com maiores salários médios.

Contrastes do mercado

Os dados indicam que a taxa de desocupação no quarto trimestre foi de 4,2% para homens e 6,2% para mulheres. Também ficou abaixo da média nacional entre trabalhadores brancos (4,0%) e acima entre pretos (6,1%) e pardos (5,9%).

No país, cerca de 1,1 milhão de pessoas buscavam emprego há dois anos ou mais, número 19,6% menor que em 2024.

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